Conheça as opções de tratamento
Você já parou para notar que, em certas fotos de redes sociais, o sorriso de algumas pessoas parece ter um brilho próprio, quase como se tivessem trocado os dentes por teclas de piano novas? Essa busca incessante pelo “branco absoluto” criou um fenômeno curioso nos consultórios. Como dentista, recebo frequentemente pacientes com uma foto de filtro do Instagram no celular, pedindo um tom de branco que, biologicamente, nem sequer existe na dentição humana natural. O grande desafio aqui não é apenas técnico, mas ético. Existe uma linha tênue entre a odontologia estética que devolve a autoestima e o excesso que compromete a saúde. A biologia não usa filtro Para entender o limite, precisamos falar sobre o que dá cor ao dente. Ao contrário do que muita gente pensa, o esmalte — aquela camada externa e protetora — é quase translúcido. Quem manda na cor é a dentina, que fica logo abaixo. Ela tem tons que variam entre o acinzentado, o amarelado e o avermelhado. Quando fazemos um clareamento, o gel (seja o peróxido de hidrogênio ou de carbamida) penetra nessa estrutura para quebrar as moléculas de pigmento. O problema é que cada dente tem um “teto” biológico. Forçar a barra para passar desse limite pode resultar em dentes com aspecto poroso, sem brilho e, no pior dos casos, com uma sensibilidade crônica insuportável. O cenário do “branco geladeira” Tive um caso no consultório que ilustra bem essa obsessão. Uma paciente, jovem e com dentes já bastante claros (um tom que chamamos tecnicamente de B1, o mais claro da escala natural), insistia que eles ainda estavam “encardidos”. Ela já tinha passado por três ciclos de clareamento em menos de um ano em outros lugares. O que ela apresentava não era falta de clareamento, mas um início de perda mineral. Os dentes estavam começando a perder a vivacidade e a ganhar uma aparência leitosa, artificial. Tivemos que sentar e conversar seriamente sobre a percepção estética. O sorriso bonito não é o mais branco; é aquele que harmoniza com o tom da sua pele, a cor da sua gengiva e o branco dos seus olhos. Se o seu dente brilha mais que a esclera (a parte branca do olho), algo está visualmente desequilibrado. Os riscos de ignorar o limite Quando o paciente decide fazer clareamentos caseiros sem supervisão ou insiste em repetir o procedimento antes da hora, o preço pode ser alto: Hipersensibilidade dentinária: Aquela pontada aguda ao tomar um sorvete ou um café quente. Irritação gengival: Queimaduras químicas causadas pelo excesso de produto. Desgaste do esmalte: O dente fica mais suscetível a manchas futuras, criando um efeito rebote. Inflamação da polpa: Em casos extremos, o uso abusivo de substâncias clareadoras pode irritar o nervo do dente. Onde entra a ética profissional? A odontologia moderna dispõe de ferramentas incríveis, como o planejamento digital do sorriso e as lentes de contato dental, que podem, sim, entregar dentes muito claros com segurança. Mas o papel do profissional é saber dizer “não” ou “ainda não”.